CML | DMC | DPC | José Vicente, 2014


CML | DMC | DPC | José Vicente, 2019

Lisboa será uma das poucas cidades históricas europeias que tem uma disciplina própria destinada a estudar e valorizar a sua longa história: a Olisipografia. Esta «ciência sobre Lisboa» tem antecedentes que remontam ao final da Idade Média, mas foi desenvolvida de forma mais efetiva por Júlio de Castilho (1840-1919) que, a partir de 1879 e até ao final da sua vida, escreveu sobre a «Lisboa Antiga». Foi movido por paixão pela sua cidade, numa abordagem holística que envolve a história em diversas das suas vertentes (política, social e, sobretudo, biográfica), mas também a antropologia, a sociologia, a história da arte, ainda antes destes domínios das Ciências Sociais se designarem como tal.

É indispensável destacar que a Olisipografia, como foi entendida por Júlio de Castilho e seus sucessores, sem deixar de possuir aspetos locais (quem é quem; quem vive e quem viveu na cidade; como esta se foi transformando) tem um carácter muito mais amplo: para eles a história de Lisboa cruza permanentemente a história de Portugal e, numa geografia ampliada, diversas outras histórias e lugares com que a cidade-capital especialmente se relacionou.

O labor de Júlio de Castilho sobre a recolha de fontes inéditas foi continuado especialmente por Augusto Vieira da Silva (1869-1951) e Gustavo Matos Sequeira (1880-1962). Tal como ele, viveram numa época de profunda renovação de Lisboa, tanto por ampliação como por transformações internas dos sítios que, mesmo nas áreas mais consolidadas, vinham conhecendo grande alterações desde meados do século XIX, relacionadas com os novos ritmos de uma economia mais industrializada. Em comum, esta Olisipografia fundadora tem um forte compromisso com os sucessivos presentes dos seus autores, tendo ajudado a lançar as bases de políticas de salvaguarda dos patrimónios relevantes que, com eficácia crescente, se desenvolveram ao longo do século XX e de que hoje somos herdeiros.

Em 2019, a CML desenvolveu um conjunto de iniciativas para assinalar os 150 anos do nascimento de Augusto Vieira da Silva, o centenário da morte de Júlio de Castilho, e a vida e obra de José Sarmento de Matos, que reacenderam a noção da importância da Olisipografia e dos seus agentes para a história da cidade de Lisboa. Foi neste contexto que surgiu o projeto Olisipógrafos. Os cronistas de Lisboa, num repto lançado à Professora Raquel Henriques da Silva pelo então presidente da CML, Dr. Fernando Medina, do qual resultou o estabelecimento de uma parceria entre o DPC/CML e o IHA/FCSH/UNL para a sua concretização.

Através deste projeto pretende-se dar a conhecer a história da Olisipografia e dos seus principais agentes, e potenciar o surgimento, no século XXI, de uma nova geração de olisipógrafos que dê continuidade e desenvolva o trabalho iniciado há quase século e meio por Castilho.

Este website é o elemento agregador do projeto, e disponibiliza diferentes conteúdos na esfera da Olisipografia. Desde logo, textos de enquadramento teórico ao tema e também sobre o papel fundamental do Pelouro dos Serviços Culturais da CML (1933) e do Grupo Amigos de Lisboa (1936) no desenvolvimento e divulgação dos estudos de Lisboa. 

Foi elencada uma lista de 22 olisipógrafos de diferentes gerações, que se pretende vir a alargar, sobre os quais se apresentam curtas biografias, em que se contextualiza e carateriza a sua obra, destacando as suas marcas autorais específicas, uma cronologia biográfica alargada com os seus percursos de vida, e um levantamento exaustivo dos seus escritos sobre Olisipografia. Mas, porque os estudos de Lisboa não se esgotam nos trabalhos produzidos por estas 22 personalidades, disponibiliza-se um extenso corpus bibliográfico composto por livros, artigos e fontes manuscritas produzidos entre meados do século XVI e a atualidade. Com isto pretende-se providenciar à comunidade científica e ao público em geral um acesso mais direto e alargado ao imenso acervo da História de Lisboa. O site disponibiliza também a digitalização de obras emblemáticas editadas pelo pelouro dos Serviços Culturais da CML, bem como diversos recursos gerados no âmbito do projeto, nomeadamente a digitalização das biografias alargadas de quatro olisipógrafos, entretanto publicadas em livro.
 

 

Equipa


Investigador responsável
Raquel Henriques da Silva - IHA | NOVA FCSH

Coordenação e investigação
Hélia Silva - CML | DPC |GEO
Rita Mégre - CML | DPC |GEO
Tiago Borges Lourenço - IHA | NOVA FCSH

Investigadores
Ana Cristina Leite - CML | DPC |GEO
Ana Homem de Melo - CML | DPC |GEO
Elisabete Gama - CML | DPC |GEO
José Augusto Pereira - CML | DPC |GEO
Pedro Rodrigues - CML | DPC |GEO
Raquel Cheganças - CML | DPC |GEO
Raquel Seixas - IHA | NOVA FCSH

Bolseiros | Estagiários
Eduardo Reynaud - IHA | NOVA FCSH
Luís Guimarães - CML
Jorge Costa - IHA | NOVA FCSH

Fotografia
José Vicente - CML | DPC

Designer
Joana Cunha

 

Entidade Parceira

Instituto de História de Arte - NOVA FCSH

 

Entidades Colaboradoras

Arquivo Histórico da Faculdade de Letras
Arquivo Municipal de Lisboa
Arquivo Nacional Torre do Tombo
Biblioteca Nacional de Portugal
Instituto Camões
Museu de Lisboa

 

 

Site

 

Coordenação, edição e revisão de conteúdos
Rita Mégre - CML | DPC |GEO

Base de dados e gestão de informação
Ana Mafalda Reis - CML | DPC
Rita Mégre - CML | DPC |GEO

Colaboração
António Nunes - CML | DPC |GEO
Catarina Cadete - CML | DPC |GEO
Manuela Chirôdio - CML | DPC |GEO

Fotografia
José Vicente - CML | DPC

Ilustrações e apoio ao design
Ana Filipa Leite - CML | DPC

Design e desenvolvimento
Sistemas do Futuro



Contacto: geo@cm-lisboa.pt